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João Nuno Ferreira
Coordenador Geral

João Nuno Ferreira, coordenador geral da FCCN, unidade de serviços digitais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, falou sobre a temática da computação avançada e o investimento feito para que Portugal seja competitivo e esteja alinhado com a estratégia europeia.

Portugal tem dado passos importantes no fortalecimento das suas infraestruturas de computação avançada. Como avalia o impacto do supercomputador Deucalion e da colaboração com o MareNostrum 5? 

A operacionalização do Deucalion representa o fim de um hiato de mais de 30 anos na disponibilização de recursos centrais partilhados de High Performance Computing (HPC) em Portugal. Neste período, houve iniciativas muito relevantes na computação distribuída e em computadores de entidades de ensino superior, mas com o Deucalion deu-se um grande salto na capacidade HPC. Complementarmente, os recursos no MareNostrum 5, permitiram assegurar um portefólio de serviços mais alargado e completo, para os utilizadores mais avançados. A colaboração com Espanha, que se tem revelado fundamental, também abrangeu o Deucalion, embora mais na componente de apoio técnico e institucional.  

O investimento na Inteligência Artificial (IA) e o acesso a sistemas de HPC são fundamentais para Portugal estar alinhado com a estratégia europeia para a transição digital e sustentável. Que tipo de projetos têm sido apoiados pelas infraestruturas nacionais? 

A adesão da comunidade tem sido grande, desde o primeiro concurso de projetos de computação, em 2021. Até ao final de 2025, foram aprovados 612 projetos, abrangendo 94 entidades, distribuídas por todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas e cobrindo todas as áreas do conhecimento.  Destes projetos, cerca de 140 referem ou utilizam técnicas de IA. 

A candidatura de Portugal às AI Future Factories é uma oportunidade significativa para posicionar o país como líder em IA na Europa. Em que consiste esta iniciativa e qual a sua importância para Portugal? 

É a oportunidade para estarmos entre os países líderes, dado que nenhum país europeu conseguirá sozinho ter a relevância de outras regiões económicas, como os EUA ou a China. Por isso, a Comissão Europeia colocou o desenvolvimento das Fábricas de IA no topo da agenda política, como aceleradores de inovação baseada em IA, para as PMEs e Startups Europeias. As Fábricas de IA terão vários pilares, nomeadamente os dados, os softwares, os serviços de suporte, os sistemas de computação e a formação. 

A criação do Centro Nacional de Computação Avançada em Portugal é agora uma realidade. Que papel desempenha a FCT na gestão deste centro? 

A FCT está intimamente ligada ao novo centro, atendendo a que este assegura a operação das plataformas operacionais de computação nacionais detidas ou apoiadas pela FCT. Esta é, por isso mesmo, uma relação próxima e continuada. A criação do Centro Nacional de Computação Avançada é financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e tem como objetivo reorganizar, numa única entidade, os centros e redes de computação avançada existentes no país. 

Portugal tem evoluído de um utilizador periférico para um participante estratégico em HPC e IA. Quais os próximos passos para garantir que o país continua a atrair investimentos e se mantém competitivo no panorama internacional? 

O desafio central é sempre o da qualificação dos recursos humanos. É preciso não só desenvolver e consolidar as equipas nucleares de operação e suporte destes novos serviços digitais, mas também formar e apoiar os utilizadores, de modo a levar o potencial destes recursos a mais agentes de inovação e investigação. Isso é fundamental para continuarmos a ser parceiros ativos relevantes nesta área, beneficiando dos investimentos e das vantagens competitivas criadas pela IA.

image 1 FCCN, Serviços digitais da FCT

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