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Formação Arquivo.pt assinala Dia da Preservação Digital

Formação Arquivo.pt assinala Dia da Preservação Digital

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A Unidade de Computação Científica Nacional promoveu ontem uma formação dinamizada pelo Arquivo.pt, assinalando o Dia Mundial da Preservação Digital. Mais de 70 pessoas ficaram a saber mais sobre este tema, bem como sobre a missão do arquivo da web portuguesa.

Assinalando o arranque dos trabalhos, o Gestor do Arquivo.pt, Daniel Gomes, deu por iniciadas as comemorações do Dia Mundial da Preservação Digital em Portugal. Um tema, explicou, que tem uma relevância crescente: “Nunca publicámos tanta informação e ela nunca desapareceu tão depressa – 80% da [informação publicada online] desaparece em menos de um ano”.

É neste ponto que entra em cena o Arquivo.pt, um serviço acessível “a qualquer pessoa, em qualquer altura, para pesquisar páginas do passado”, realçou Daniel Gomes, reforçando: “É uma espécie de Google para o passado”. A plataforma permite ainda outras funcionalidades como a impressão de sites ou a possibilidade de adicionar informação a páginas incompletas.

O Gestor do Arquivo deu depois alguns exemplos do património nacional, europeu, cientifico e popular preservado em Arquivo.pt. No total, o acervo contém atualmente 6 milhões de sites e 2700 milhões de páginas produzidas ao longo dos últimos 22 anos. “Sem o Arquivo.pt, grande parte deste investimento estaria perdido para sempre”, reforçou.

Nesta missão, os utilizadores podem também contribuir, seguindo algumas boas-práticas destacadas por Daniel Gomes: sugerir a “recolha” do site ao Arquivo na altura da sua criação; indicar sites de interesse para recolha (ligados a eleições, por exemplo); divulgar recomendações para manter os sites preserváveis (como “incluir sempre a data de publicação”) ou evitar “matar” o site antigo (enviando para o Memorial do Arquivo.pt) foram alguns dos exemplos referidos.

Contar a história da História
A sessão continuou com uma apresentação do vencedor da primeira edição dos Prémios Arquivo.pt, Ricardo Campos, que deu a conhecer o projeto distinguido: “Conta-me Histórias”. O investigador do INESC TEC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência) destacou a importância desta plataforma que permite ao utilizador, a partir da indicação de um termo de pesquisa e um período temporal, “gerar uma timeline com dados relevantes e títulos noticiosos”.

Para tal, o “Conta-me Histórias” utiliza parte da informação preservada pelo arquivo da web portuguesa: “O Arquivo.pt é gigantesco, o nosso corpo de trabalho são as fontes noticiosas”, explicou o investigador.

Tendo em conta fenómenos como as fake news ou as filter bubbles, acresecentou Ricardo Campos, este serviço torna-se especialmente relevante. Por outro lado, o aumento exponencial de informação online e do seu respetivo consumo levam a uma sobrecarga de informação que o “Conta-me Histórias” pode ajudar a equilibrar.


Ajudar a preservar

A intervenção seguinte ficou a cargo de Ricardo Basílio que se centrou na preservação de websites nas bibliotecas das instituições de Ensino Superior. Conforme explicou o membro da equipa do Arquivo.pt, o objetivo passou por “demonstrar como é possível, localmente, fazer uma coleção de sítios web institucionais”.

A comunidade de bibliotecários e bibliotecárias, acrescentou, é um público de especial interesse, tendo em conta que esta é “numerosa e está sensibilizada para a questão da preservação de informação”. “Esta é uma forma de criar uma comunidade de suporte”, reforçou.

Como tal, a apresentação de Ricardo Basílio mostrou as formas de gravar uma página web e a sua possível integração em sistemas como o Arquivo.pt: “Procuramos dar as ferramentas para que os participantes possam ser ativos localmente”. A curto-prazo, concluiu, pretende-se que “cada faculdade tenha preservado a sua própria coleção de sítios web institucionais”.